terça-feira, 10 de abril de 2012

O chão de cada dia

Acabo de perceber que o chão é o que mais importa nessa vida. Chão esse que você repousa seus pés descalços, o chão é quem sustenta seu corpo e por incrível que possa ser, é o chão também quem sustenta a sua alma. Quando não se tem chão, o corpo reage, como puro desconforto, essa ausência é capaz de desequilibrar um espírito todo, ele, o chão também aponta caminhos, trás experiências, apaga lembranças, acalma a dor... é imprecionante como em todo esses meus 22 anos, tão taurinos eu jamais tenha dado a devida importância e relevância ao chão.

Meus olhos estão pesados, tensos de um vermelho muito aparente, minha vizinha me perguntou se chorei hoje, eu disfarcei disse que era por culpa de dormir demais. Que mentira! Mas por um outro lado fico feliz em ser notada. Gosto quando as pessoas olham para gente com um olhar sensível. Eu tenho esse olhar para o mundo. Aposto que não a enganei, mas como bombardiá-la e pedir o seu colo quando não consigo compreender o que se passa na minha alma, onde esses meus olhos tendem a desabar de uma lágrima tão dolorida? Eu estou sofrendo e essa dor é de tanta mistura que não estou sabendo distinguir.

(Na rádio toca um jazz delicioso que aos poucos vai acalmando minha alma)

Acho que chega uma certa idade na vida que você deseja ser algo, tem gente que quer ser aquele babaca, anormal, caótico pedante apenas de telefones de meninas em uma noite com drinks. Algumas outras meninas, querem ser aquilo que acham o que é ser feliz, passagem para NY, gente escrota, um dia de compras, um marido dentro do padrão midiático. Talvez elas não saibam o que elas querem... na verdade, o duro é saber.

O fato de estar nessa crise existencial pelo fracasso em não dar continuidade as atividades que realmente gosto é só um fator que tem me causado buracos no chão. Além disso, tenho vivo minha grande decepção e dor amorosa, aquela em que seu pai  na adolescência te pega no colo e diz que é passageiro, e que essa dor não é a pior do mundo e complementa que logo, logo irá esquecer de tudo. Por incrível que pareça essa dor parece ser sim eterna e imensurável.

É por isso que volto a estaca zero, em meio de tanto confusão sentimental tenho me esforçado para crescer, produzir e me fortalecer. Produzir... produzir... produzir... esse é um lema de amor. Tenho vivido a sensação de um entardecer em uma estrada com faróis levemente acesos. Foi quando percebi que os meus breves 23 anos estavam exigindo mais maturidade de mim. Chegou a hora de lapidar o chão, escolher caminhos, fortificar fronteiras e seguir em frente. Então, se eu te fizer o convite, vamos?

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