quarta-feira, 25 de abril de 2012

Ventos da gente - Parte 1

Estava tão distraída em meus pensamentos, que como de costume não escutei o celular tocar. Estava viajando nas possibilidades do mundo e dos conflitos familiares. As vezes sou dura e rezo para que a vida ensine a algumas pessoas. No fundo não acho isso legal, parece que posso ter algum sentimento de prazer em ver as pessoas sofrendo um pouco. Não é exatamente isso. Mas acabo sofrendo com algumas injustiças. Sei é chato! Mas esse tipo de pensamento me acompanha em certos momentos, principalmente os momentos de distração meio sonâmbulas.
Ele me ligou, com a voz como de quem ainda me conhecia muito e sabia que não consigo manter uma postura monossilábica por muito tempo. Quis puxar algum riso meu. Mas não conseguiu. De alguma forma essa ligação me incomodava rasteiramente. Deveria não ter atendido. Deveria ter ignorado. Que bobagem eu fiz.

- Olá
- Oi
- Como vão as coisas?
- Boas! E você?
- Não sei.
- Como assim?
- Não sei, não estou feliz.
-...
- Por que eu não estou feliz, me diz?
- Porque você agiu por impulso.
- Impulso?
- Sim, e pior que isso. Agiu por impulso de outra pessoa, que não foi você.
- Quero minha vida de volta.
- Eu quero logo a minha nova vida.
- E você? Esta feliz?
- Estou!
- Por que?
- Porque tenho agido por um impulso meu. Estou brotando tudo que estava adormecido em mim. É como nascer para fora, entende?
- Superficialmente. 
-...

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